VOCÊ SABIA...que, em 7 de setembro de 1922, Ribeirão Preto
comemorou condignamente o CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA? Não se tem notícias como a independência, teria sido festejada em 1822 (se é que o foi). É sabido, porém, que a maior parte destas terras, originariamente com o nome de "Fazenda do Rio Pardo", desde 1811, já era ocupada, dentre outras, pela família Dias Campos, sem oposição alguma. Aconteceu, todavia, que, em 1832, chegaram os irmãos Manoel, Vicente e Mateus, todos José dos Reis, esbulhando a posse dos Dias Campos, o que deu motivo a processo instaurado em 1834, perante o Juízo da Comarca de Mogi Mirim. De fato, nesses primórdios, a área que viria a ser Ribeirão Preto pertencia à Vila de Mogi Mirim e, dada a distância e falta de comunicação, certamente só bem mais tarde teria a pequena e esparsa população
ficado sabendo o que acontecera nas margens do Ipiranga e o que isso implicaria
em suas vidas. Em toda a chamada Mesopotâmia (território entre o rio Mogi Guaçu e o rio Rio Pardo, em 1822, a população
era de apenas 1.444 pessoas em 233 fogos (habitações), sendo 1.211 livres e 233
escravos. Gente isolada (até uma da outra). Só para se ter uma ideia, Simão Teixeira, que edificara, cumprindo promessa, uma capela que daria início a São Simão, ali chegara em 1823. No além Pardo, só havia a Villa de Franca,
criada em 1821, mas apenas instaladas em 1824 (fora freguesia em 1805). Era o povoamento mais organizado por
estes lados, com Companhia de Ordenações (guarnição militar) desde o final da década de 1790, para
segurança do “Caminho das Goyases”, tendo sido comandada, a partir de 1804 pelo
Capitão Hipólito Pinheiro, considerado o fundador de Franca. Ali houve, sim, comemoração
pós independência, tanto é que, de Villa
Franca Del Rey passou a chamar-se Villa
Franca do Imperador, a partir de 1824. Se é quase certo que, por aqui em 1822, não houve qualquer comemoração, em compensação, na época do Centenário, a cidade de Ribeirão Preto, como ressaltado, festejou engalanada. Apresentava franco
progresso, com implantação de indústrias, principalmente a Eletro Metalúrgica
e a de bebidas e abertura de importantes casas comerciais. A administração anterior, do
prefeito Joaquim Macedo Bittencourt, realizara notáveis melhoramentos públicos,
dentre eles vale destacar o calçamento da Avenida da Saudade, a criação do
Posto Zootécnico, a criação do Corpo de Bombeiros e, principalmente, a
construção do Palácio Rio Branco (Paço Municipal), com mobiliário e tapeçaria.
Assim, havia justas razões para uma comemoração à altura, embora 100 anos
depois. Desta forma, o então Prefeito João Rodrigues Guião, nesse dia
histórico, entregou à população os três primeiros quarteirões da então avenida
da Independência (atual 9 de julho), tendo ali, na confluência com a rua
Tibiriça, sido inaugurado o magnífico Obelisco, em pedra rosa, de autoria de Emílio Moço. Além desse
melhoramento e desse marco histórico, houve o lançamento da pedra fundamental
do edifício destinado à Escola Profissional de Artes e Ofícios (atual Escola
Profissional José Martimiano da Silva). As festividades aconteceram nas entidades privadas e nas escolas públicas, tendo estas participado de concorrido desfile. Também o município, na ocasião, ofereceu
esplêndida recepção, às 13 horas, no salão nobre do Paço Municipal, a todas as
autoridades locais, associações, representantes das colônias estrangeiras e das
diversas classes sociais, tendo sido servido refinado almoço, com cardápio (menu) totalmente em francês. Valendo-se da oportunidade, o prefeito João Rodrigues Guião lançou a edição especial do
Almanaque “O Município e a Cidade de Ribeirão Preto - 1822 e 1922 - Na
Commemoração do 1º Centenário da Independência Nacional”, de sua autoria. Além desses eventos, importante lembrar que Ribeirão Preto prestou, no transcorrer da expansão de sua urbanização outras homenagem, como ao local da Proclamação,
dando o nome de um de seus bairros de IPIRANGA, bem como dando a avenidas os
nomes de "Independência", “D.
Pedro I” (bairro do Ipiranga) e “dos Andradas” (Parque Ribeirão Preto),
igualmente a uma praça, com a
denominação de “7 de setembro”, bem como a ruas com os nomes de Vultos da Independência,
como o foram: “José Bonifácio, o Patriarca de Independência", "Duque de Caxias", “Padre Feijó”,
“Marquês de Valença”, “Joaquim Gonçalves Ledo”, "Hippolyto José da
Costa", “Maria Quitéria” e "Dois de Julho". Ainda a propósito do Obelisco, que foi o símbolo das comemorações, quando da primeira gestão do Prefeito Antônio Duarte Nogueira, foi removido, da avenida 9 de julho com a rua Tibiriça, para a confluência das atuais avenidas 9 de julho e Independência. Recentemente foi poupado durante a construção do túnel, aguardando a conclusão da restauração da Av. 9 de julho, para ter maior visibilidade.
VEJA A SINOPSE DO LIVRO LANÇADO DURANTE AS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA:
http://www.plataformaverri.com.br/index.php?bib=1&local=book&letter=R&idCity=24&idCategory=1&idBook=2075
VEJA UM VÍDEO SOBRE
RIBEIRÃO PRETO, NA DÉCADA DE 1920
https://www.youtube.com/watch?v=3RmlkasMZFM&t=4s
VEJA VÍDEOS DO OBELISCO, INAUGURADO EM 07/09/1922:
https://www.youtube.com/watch?v=SaMvnMmzGdk
https://www.youtube.com/watch?v=3FvmiHQJAFM
O PRIMEIRO IMÓVEL DA AV. 9 DE JULHO (ANTIGA AV.
INDEPENDÊNCIA) – CASA DE EMÍLIO MOÇO
https://www.facebook.com/photo/?fbid=6853433581434832&set=gm.7134873009923518&idorvanity=352813591462861&locale=pt_BR
https://www.facebook.com/photo/?fbid=5355529584461127&set=gm.4651088838301960&locale=pt_BR
https://www.facebook.com/photo/?fbid=917508591786050&set=gm.1860406770703528&locale=pt_BR
DEMOLIÇÃO DO PRIMEIRO IMÓVEL CONSTRUÍDO NA AV. 9 DE JULHO
https://www.youtube.com/watch?v=t6pcNhw2OrU